Brasil tem 28 milhões de hectares de pastagens degradadas com potencial para expansão agrícola

Processos de conversão devem ocorrer com técnicas e práticas que favorecem a sustentabilidade, como sistemas de integração lavoura pecuária-floresta – Foto: Gabriel Faria

Estudo realizado pela Embrapa, publicado neste mês na revista internacional Land, indica a existência de aproximadamente 28 milhões de hectares de pastagens plantadas no Brasil com níveis de manipulação intermediários e severos que apresentam potencial para a implantação de culturas agrícolas. De acordo com o artigo, se considerar apenas o cultivo de grãos, esse montante representaria um aumento de cerca de 35% da área total plantada em relação à safra 2022/2023.

A representa um esforço para integração de diferentes bases de dados públicos e pode contribuir, com análises planejadas e deficiências, para orientar a tomada de decisão de setores das cadeias produtivas agrícolas e a elaboração de políticas para desenvolvimento sustentável, como o Plano de Adaptação e Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (ABC+) e o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas, do Ministério da Agricultura e Pecuária.

De acordo com dados do Atlas das Pastagens, publicado pelo Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (LAPIG) da Universidade Federal de Goiás (UFG), uma das bases de dados utilizadas, as pastagens brasileiras cobrem aproximadamente 177 milhões de hectares, dos quais aproximadamente 40% apresentam médio vigor vegetativo e sinais de manipulação, enquanto 20% apresentam baixo vigor vegetativo, entendida como manipulação severa. São áreas que apresentam uma redução na capacidade de suporte à produção e na produtividade.

O trabalho conduzido pela Embrapa fez o cruzamento dessas informações a respeito da qualidade das pastagens com dados sobre a potencialidade agrícola natural das terras, produzida pelo IBGE. Foram considerados dois níveis de manipulação das pastagens, diversos e divertidos, e duas classes de potencialidade agrícola, boa e muito boa.

Como resultado, foram mapeados aproximadamente 10,5 milhões de hectares de pastagens com condição severa de manipulação e 17,5 milhões de hectares com condição dinâmica que apresentam potencial bom ou muito bom para a conversão para agricultura. Entre os estados que tiveram as maiores áreas, dentro destes parâmetros, estão o Mato Grosso (5,1 milhões de ha), Goiás (4,7 milhões de ha), Mato Grosso do Sul (4,3 milhões de ha), Minas Gerais (4,0 milhões de ha) e o Pará (2,1 milhões de ha).

Nesta análise do potencial de expansão agrícola foram restauradas áreas consideradas especiais, como terras indígenas, unidades de conservação, assentamentos rurais e comunidades quilombolas, e também aquelas áreas indicadas pelo Ministério do Meio Ambiente como de alta prioridade para conservação da biodiversidade. “Buscamos mapear as possibilidades de expansão agrícola a partir de análises geoespaciais relacionadas a áreas que minimizam a pressão sobre os recursos naturais e sejam implantadas sob bases sustentáveis”, explica um dos autores do artigo, o pesquisador da Embrapa Agricultura Digital Édson Bolfe . O trabalho também contemplou dados sobre o acesso à infraestrutura rural e sobre o clima, com informações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) .

Os autores ressaltam que os processos de substituição da pastagem degradada por culturas agrícolas devem ocorrer em consonância com a legislação ambiental e a partir da aplicação de técnicas e práticas que favorecem a produtividade e a sustentabilidade, como por exemplo o plantio direto, sistemas de integração laboral-pecuária- floresta e agroflorestas. “A metodologia e as bases de informações geradas também podem orientar projetos para a própria recuperação e melhoria do vigor das pastagens já utilizadas para a pecuária”, destaca Edson Sano , pesquisador da Embrapa Cerrados que também assina o artigo.

O estudo “Potencial de expansão agrícola em pastagens degradadas no Brasil com base em bancos de dados geoespaciais” foi realizado por equipe multidisciplinar das Unidades Embrapa Agricultura Digital , Embrapa Cerrados e Embrapa Meio Ambiente , e recebeu o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal. Os resultados disponíveis no Redape – Repositório de Dados de Pesquisa da Embrapa e podem ser utilizados em análises para estados e municípios. Assinam o artigo Édson Bolfe , Daniel Victoria , Edson Sano , Gustavo Bayma , Silvia Massruhá e Aryeverton de Oliveira .

Infraestrutura e risco climático

Além de identificar e quantificar o potencial de conversão das pastagens para a agricultura, o estudo integra dados da infraestrutura rural já existente, como a presença de armazéns e o acesso a rodovias estaduais e federais num raio de 20 a 100 km. As análises mostram, por exemplo, que cerca de 54% das áreas de pastagem encontram-se a uma distância de até 20 km de armazéns e 89% delas de até 20 km de rodovias. “São informações adicionais que indicam as condições de infraestrutura fáceis para dar suporte à possível expansão agrícola e podem ajudar, por exemplo, priorizar ações e direcionar investimentos por parte de agentes públicos e privados”, avalia Édson Bolfe.

O estudo da Embrapa também recentemente as informações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) , que tem escala municipal e utiliza parâmetros de clima, solo e ciclos de cultivares para indicar qual cultura plantar, onde e quando. Adotado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária para orientar as políticas de crédito e segurança rural, o Zarc permite identificar as janelas de plantio em que há menor chance de frustração de safra devido a eventos climáticos adversos, cobrindo mais de 40 culturas agrícolas.

O artigo selecionou como exemplo três municípios: Guia Lopes da Laguna (MS), São Miguel Arcanjo (SP) e Ingaí (MG). Neles, o Zarc possibilitou identificar possibilidades de substituição da pastagem degradada por culturas anuais como feijão, arroz, sorgo, girassol, algodão, milho, soja, aveia, trigo, sistema integrado com milho e pasto, além de algumas culturas perenes. Os três municípios fazem parte do projeto Semear Digital, financiado pela Fapesp, que visa o desenvolvimento de ações para promover a agricultura digital entre pequenos e médios produtores rurais.

Segundo Bolfe, há espaço para evoluir na análise do potencial de expansão agrícola a partir das bases já organizadas, integrando bancos de dados regionais, validações de campo e informações sociais e de previsões econômicas e financeiras. “Em termos metodológicos, também é possível seguir aprimorando o mapeamento da qualidade das pastagens, integrando imagens de diferentes satélites e considerando as características das pastagens e sua capacidade de suporte, que varia em cada região do País”.

***Redação Portal Sou Agro

(Com Graziella Galinari (MTb 3863/PR)
Embrapa Agricultura Digital Embrapa)

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Rede ILPF participará do painel sobre segurança alimentar e agricultura de baixo carbono durante a COP28, em Dubai.

A Rede ILPF estará presente na 28ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre
Mudanças Climáticas (COP-28), que este ano será realizada nos Emirados Árabes, entre 30 de novembro e 12
de dezembro.

A Conferência reúne todos os países-membros da ONU para debater estratégias para conter o aquecimento
global – cujo máximo aceitável, de acordo com o Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas
(IPCC), é de 1,5º C até 2050, em relação às temperaturas registradas na era pré-industrial. A proposta é
discutir os desafios impostos pelas mudanças do clima, e neste contexto o setor agropecuário tem papel
relevante neste momento de transição.

Participação Rede ILPF
A participação da Associação Rede ILPF será durante o painel promovido pela Apex e mediado pela
Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), no dia 10 de dezembro entre às 15h e 16h15 no Pavilhão
Brasil.

Com o tema “A Nova Agricultura de baixo Carbono: Recuperação de pastagens degradadas e aumento de
produtividade”, a Rede ILPF e Associadas irão discutir estratégias colaborativas para a recuperação de áreas
degradadas e a promoção de práticas agrícolas sustentáveis.


Serão apresentados exemplos bem-sucedidos de ILPF e programas que envolvem parcerias entre diferentes
setores, como empresas, organizações da sociedade civil, governos e comunidades locais, além de da
importância de instrumentos financeiros para alavancar as boas práticas no Agro.
Participarão do debate: Silvia Massruhá – Presidente da Embrapa; Isabel Ferreira – Diretora
Executiva da Rede ILPF; Grazielle Parenti -VP of Business Sustainability LATAM Syngenta; – a
mediação será de Giuliano Alves, representando a Abag.


Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)


Na pecuária, o Brasil tem 159 milhões de hectares de pastos, que produzem carne e leite, sem necessidade
de ampliação de espaço para aumentar a produção.
A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), tecnologia agropecuária desenvolvida pela Embrapa é uma
das alternativas. A ILPF mitiga a emissão de gases de efeito estufa, impede abertura de novas áreas, promove
maios conforto animal, aumenta a produtividade e diversifica a lavoura.
Atualmente 66% do território nacional está coberto com vegetação nativa. Além disso, as áreas plantadas ou
destinadas à pecuária podem ser otimizadas, ganhando produtividade, por meio de técnicas como plantio
direto, uso de bioinsumos e fixação biológica de nitrogênio, por exemplo.
O país tem cerca de 17,4 milhões de hectares com sistemas de Integração. A Rede ILPF tem a meta de elevar
este número para 35 milhões de hectares até 2030.

Dados:
De acordo com Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig),
atualmente o Brasil tem 159 Mi ha de área de pastagens, 90 Mi há em algum estágio de
degradação. A vegetação nativa ocupa 66% do território brasileiro; 30% destinam-se a produção
agropecuária; 224 milhões de cabeça de gado em 2021 segundo o IBGE.
Produtores Rurais preservam e são ambientalmente responsáveis pela vegetação nativa.
A vegetação nativa das propriedades rurais representa 33,2% do território brasileiro; 282,85
milhões de hectares preservados estão dentro das fazendas.

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Com menos emissões, sistema integrado de produção agrícola avança em todo o País.

Técnicas sustentáveis melhoram a qualidade do solo, ampliam diversidade da área e aumentam a produtividade

Enquanto o mundo se assombra com os eventos climáticos extremos que pautam os debates da COP-28, a 28.ª Conferência de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), em Dubai, nos Emirados Árabes, o Brasil vai fazendo sua lição de casa. Cada vez mais agropecuaristas brasileiros estão adotando sistemas de produção integrados com lavouras, gado e árvores.

Além de recuperar áreas degradadas, a integração permite que grãos, carne e leite sejam produzidos com menos emissões de gases de efeito estufa, ou seja, com uma pegada de carbono menor, o que é bom para o clima. É a agropecuária sustentável não só do portão para dentro, mas também de baixo para cima. Os vários modelos de sistemas integrados melhoram a qualidade do solo, ampliam a diversidade da área, aumentam a produtividade das lavouras, das pastagens e dos animais e, de quebra, produzem maior conforto térmico, preservando a saúde do gado e o ambiente.

“Os sistemas integrados lavoura-pecuária-floresta representam um dos grande trunfos para melhorar o desempenho da agropecuária nacional pelo ponto de vista econômico e ambiental”, afirma o pesquisador Bruno Alves, da Embrapa Agrobiologia e coordenador da Câmara Temática de Carbono, um dos braços da Rede Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

A Rede ILPF foi formada em 2012 por um grupo de empresas capitaneadas pela Embrapa para acelerar a adoção das tecnologias de sistemas integrados pelos produtores. “A possibilidade de melhorar a fertilidade do solo com a combinação lavoura-pastagem faz com que a produtividade aumente. Em consequência, o material vegetal que retirou carbono da atmosfera se acumula no solo como matéria orgânica. É o que se conhece por sequestro de carbono”, explicou Alves.

Fazenda Esperança, do produtor Invaldo Weis e localizada em Sinop-MT, adota o sistema integrado de produção conhecido pela sigla ILPF lavoura, pecuária e floresta. Ele tem produção de soja, gado e plantação de eucalipto Foto: FABIO VINICIUS PLETKA / ESTADÃO

Baixa pegada de carbono logo será condição básica para garantir exportações para a Europa e outros países, segundo ele. “Esses efeitos de redução de emissões de gases são ainda mais fortes em sistemas que incluem árvores, as quais, ao produzir sombra, permitem maior conforto para os animais em dias de sol intenso. Esses benefícios são percebidos pelos agricultores que, aos poucos, vão adotando essa forma de produzir”, disse. A Rede catalisa o processo por meio de treinamentos, dias de campo e apoio às Caravanas ILPF realizadas pela Embrapa em todas as regiões do País.

A conversão da agropecuária tradicional para a sustentável avança a passos largos. A meta estipulada pelo Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC+) em 2009 era aumentar em 4 milhões de hectares a área com ILPF em todo o País em 2020. De 5,51 milhões de hectares em 2010, o sistema avançou para 11,47 milhões de hectares em 2015, superando a meta em quase 50%. Dali para 2021, houve outro salto ainda maior para 17,5 milhões de hectares, segundo dados da Rede.

Caminho longo

A ratificação do Acordo de Paris sobre as mudanças do clima pelo governo brasileiro, em 2016, adicionou à meta do plano mais 5 milhões de hectares com sistema ILPF. Assim, o País deve alcançar 35 milhões de hectares sob esse manejo até 2030. Ao chegar a esse patamar, com estas e outras práticas sustentáveis na agropecuária, o Brasil pode evitar a emissão de 1 bilhão de toneladas de CO2 na atmosfera na próxima década, segundo estimativa da Embrapa.

Há, ainda, um longo caminho a percorrer. Conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária, o Brasil tem cerca de 350 milhões de hectares ocupados pela agropecuária. Se a meta para 2030 for cumprida, até lá, apenas 10% dessa imensidão de pastos e lavouras estarão com algum sistema integrado. Hoje, 83% da área manejada utilizam a integração apenas de lavoura e pecuária, enquanto 9% são de lavoura-pecuária-floresta, 7% de pecuária-floresta e 1% de lavoura-floresta.

Conforme a Rede, os Estados mais avançados em áreas com sistemas integrados são Mato Grosso do Sul (3,1 milhões de hectares), Mato Grosso (2,9 milhões), Rio Grande do Sul (2,2 milhões), Goiás e Distrito Federal (1,4 milhão) e São Paulo (1,3 milhão).

Nos principais mercados mundiais, o “boi de capim” do Brasil vem substituindo a “carne de ração” dos países onde o sistema de confinamento predomina. O problema é a baixa produtividade das pastagens brasileiras: estima-se que 90 milhões de hectares sejam de pastos degradados. É uma situação que vem de muitas décadas atrás, segundo o presidente do Conselho de Administração da Cocamar, Luiz Lourenço, que é também um dos fundadores da Rede ILPF. “No Paraná, o solo era muito bom, era uma região de floresta que depois passou para o algodão, o café e a pastagem. Era tanto pasto e tão alto que encobria o gado.”

O problema é que o criador da época não se preocupava com a correção de solo e, ano após ano, a terra foi se exaurindo. “Foi um desastre completo, (o solo) empobreceu ao ponto de não produzir mais nada. Lá pelos anos de 1992 e 1993 tivemos um monte de invasões de terras no Paraná e muitos produtores plantaram soja de qualquer jeito nessas áreas só para se livrar das invasões”, lembra. Foi quando Lourenço, à frente da Cocamar, começou a trabalhar o sistema de integração lavoura-pecuária.

Ele lembra que, na época, a Embrapa também tinha essa preocupação e fazia trabalhos parecidos em Minas Gerais e Goiás. “Aí fizemos a Rede, que hoje reúne um monte de gente graúda para ajudar a disseminar a técnica para o Brasil inteiro. E continuamos fazendo isso na Cocamar. A ordem é ajudar o produtor a fazer essa virada”, disse Lourenço.

Matéria Estadão

Por José Maria Tomazela

 

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Rede ILPF e Embrapa divulgam sistemas integrados de ILPF na Expoforest 2023, maior feira florestal da América Latina.

A Rede ILPF, em parceria com a Embrapa, participou da Expoforest 2023, a única feira florestal dinâmica da América Latina que apresenta tecnologias voltadas à produção de madeira de florestas plantadas.

Dirigentes das Associadas da Rede ILPF, Bradesco, Cocamar, John Deere, Minerva Foods, Soesp, Suzano, Syngenta e Timac Agro,  participaram das ações do estande, receberam delegações de sete países para falar sobre a sustentabilidade de Agropecuária Brasileira e participaram do coquetel em homenagem ais 50 anos da Embrapa com a presença de vários empresários do segmento.

Este ano, o público total foi de 35.933 pessoas, e 42 países. A Expoforest foi realizada em Ribeirão Preto (SP), entre os dias 9 e 11 de Agosto.

A Feira, realizada em uma área de 200 hectares de plantio de eucalipto da empresa Sylvamo, contorna com uma trilha de quase 5 km, com 235 estandes e áreas dinâmicas. O visitante pode presenciar várias demonstrações de maquinário de tecnologia do setor.

“Celebramos a pujança e a tecnologia do setor florestal brasileiro. Somos líderes em produtividade, são 10 milhões de hectares de florestas plantadas e estamos aqui para comemorar”, disse Ricardo Malinovski, CEO do Grupo Malinovski.

A Expoforest teve dois eventos técnicos: O Seminário de Atualização sobre Sistemas de Colheita de Madeira e Transporte Florestal que a cada edição ganha mais relevância, sendo considerado um dos eventos técnicos mais antigos do setor florestal brasileiro e mundial. Há 46 anos é palco de discussão acerca das principais tendências, novidades e tecnologias sobre colheita e transporte de madeira.

E o  5º Encontro Brasileiro de Silvicultura, realizado nos dias 07 e 08 de agosto, no Centro de Eventos Ribeirão Shopping, que apresentou os desafios para a produção florestal, silvicultura digital, casos de inovação e tecnologia e os rumos da mecanização e escassez de mão de obra.  Em mesas redondas, palestras e interações com o público, especialistas e formadores de opinião do mercado florestal brasileiro discutiram os temas que nortearão as tendências deste segmento nos próximos anos, promovendo o intercâmbio técnico-científico entre profissionais e instituições que atuam na área florestal.

Durante os três dias o estande da Embrapa, em parceria com a Rede ILPF, promoveu várias atividades oferecendo ao público visitante informações sobre diversas pesquisas e tecnologias da Embrapa: sistemas de produção de eucalipto e pinus, controle de pragas, mudança climática, ILPF, biotecnologia e manejo florestal sustentável.

Por meio da Realidade virtual, o público pode conhecer uma fazenda com sistemas integrados de Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e ainda conhecer presencialmente uma vitrine demonstrativa de sistema silvipastoril com gado, pastagem e eucalipto, simulando o manejo florestal para produção de biomassa.

Para Isabel Ferreira, diretora Executiva da Rede ILPF, eventos como esses fortalecem as parcerias e apresentam ao público soluções inovadoras e tendências do mercado para agregar ainda mais valor ao setor.

Erich Schaitza, Chefe Geral da Embrapa Florestas, o evento é um espaço para estabelecer e fortalecer relações entre a pesquisa e o setor florestal. “A Embrapa é uma rede brasileira com 43 centros de pesquisa em agricultura, pecuária e florestas. Nos integramos ao setor florestal de diferentes maneiras. Ao longo do tempo, percebemos que a Expoforest e a Semana Florestal Brasileira são um dos principais canais de transferência de inovação e de ligação com o mundo”, disse Schaitza.

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Caravana ILPF: Solo e clima desafiam produtor em Goiás

Quando o Grupo Volp adquiriu a fazenda Estrela do Araguaia, seus gestores já sabiam que as condições da região no município de Montes Claros de Goiás (GO) eram bem diferentes daquelas de Itaberaí (GO), onde possuem outra propriedade.

A baixa altitude, o solo arenoso, a irregularidade das chuvas e o calor do Vale do Araguaia demandariam aprendizado para viabilizar uma boa produção agrícola. No primeiro ano, a lavoura de soja ficou com estande baixo e muitas plantas morreram.

A alta temperatura do solo foi um dos principais fatores, sendo responsável por cozinhar as sementes em alguns casos. Foi então que o agrônomo responsável do grupo, Ayrton Silva Volp Júnior, começou a pesquisar sobre como melhorar a cobertura do solo. “Ouvia falar que era a palhada que podia nos ajudar. Pesquisando, vimos que as vantagens da integração lavoura-pecuária vão muito além da palhada. Tem a ciclagem de nutrientes, a possibilidade de fazer uma safrinha de gado. Torna a área mais rentável”, conta Ayrton Volp Júnior.

Na safra 2022/2023, pela primeira vez o grupo trabalhou com a integração lavoura-pecuária. Em cerca de 1.300 ha foi plantada soja na safra e capim na safrinha. Já em torno de 700 há foram cultivados com o consórcio de milho com braquiária visando a produção de silagem. Esta experiência desafiou o consenso na região de que milho não produzia ali devido à baixa altitude (300m) e às altas temperaturas.

Para garantir uma boa produção, a fazenda apostou em uma adubação nitrogenada mais forte no momento inicial da cultura. O crescimento do capim precisou ser controlado com herbicida para evitar a maior competição com o grão. A produção de silagem satisfez a expectativa, com volume mais do que suficiente para alimentar 10.000 bovinos em confinamento, em duas rodadas com 5 mil animais cada uma.

Além disso, reduzirá o custo de produção, uma vez que no ano anterior foi necessário buscar silagem a 200 km de distância. As forrageiras utilizadas no consórcio e na segunda safra nas áreas de soja foram as braquiárias ruziziensis e a BRS Zuri. O primeiro ano serviu de testes, uma vez que foram feitas três formas diferentes de semeadura do capim: semeadura na mesma linha do milho, na entrelinha e à lanço.

A semeadura na entrelinha se mostrou a melhor opção e a taxa de semeadura ainda precisa ser ajustada. “Estávamos acostumados com uma região com 800m de altitude, chuvas mais regulares e a gente veio para uma área baixa. A região aqui é excelente, estamos contentes aqui. Mas estamos aprendendo. Apanhamos um pouco e pretendemos apanhar menos agora nos próximos anos e, pelo que estamos vendo, vamos ter sucesso aqui”, prevê Ayrton. Para ele, o sucesso em uma região em que as chuvas são irregulares, com volume médio de 1.500m ao ano, as temperaturas são altas o ano todo e o solo varia entre 25% a 8% de argila, passa necessariamente pela integração lavoura-pecuária. “Depois dessa agregação da ILP, temos a intenção de ter uma média de soja acima de 70 sacos”, prevê.

Além da agricultura, a fazenda trabalha com a pecuária de corte com recria a pasto e terminação em confinamento. São utilizados animais com boa genética, das raças nelore, Aberdeen Angus e Brangus (Aberdeen Angus x Brahman). Cerca de 1.000 ha atualmente são de pastagens que ainda não entraram na integração lavoura-pecuária. A fazenda ainda possui Cerca de 1.600 ha preservados com vegetação nativa.

Quando adquirida pelo grupo Volp, a fazenda Estrela do Araguaia contava com pastagens em processo de degradação. Atualmente é uma das integrantes do projeto Reverte, desenvolvido pela Syngenta em parceria com a The Nature Conservancy (TNC), visando recuperar pastagens degradadas convertendo-as em áreas produtivas.

Caravana ILPF A Fazenda Estrela do Araguaia foi um dos destinos da Caravana ILPF – Etapa Vale do Araguaia, realizada pela Rede ILPF em maio de 2023. A propriedade recebeu uma visita técnica da qual participaram representantes das associadas da Rede ILPF e alguns convidados.

Gabriel Faria (MTB 15.624 MG) Jornalista Embrapa Agrossilvipastoril [email protected]

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Caravana ILPF: Sistemas integrados na pequena propriedade  Sítio Rosa de Saron em Barra do Garças.
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Caravana ILPF: Sistemas integrados na pequena propriedade Sítio Rosa de Saron em Barra do Garças.

Os frutos do Cerrado vêm garantindo o sustento da família de Selma Alves de Lima Souza há muitos anos. Desde que conseguiu seu lote de 17 hectares no Assentamento Serra Verde, em Barra do Garças (MT), ela decidiu que faria a coleta de baru, pequi, jatobá e outros em sua própria terra. Treze anos depois, colhe os frutos em um sistema agroflorestal (SAF) e em um sistema silvipastoril.

“Nós tínhamos as árvores nativas e entramos com frutíferas. Havia baru e nós fomos replantando. Fazíamos mudas e replantávamos. Eu colhia baru fora daqui. Então aprendi que era melhor eu colher dentro da minha propriedade”, relembra a produtora.

O baru é o carro chefe da propriedade. Além de gerar renda com a venda das castanhas ou da paçoca, durante a seca o fruto serve como nutriente e antibiótico natural para os animais. Os bovinos raspam a casca do fruto e depois jogam fora no pasto sem danificar a castanha, que segue protegida e isolada no interior da dura casca.

A árvore nativa do cerrado, conhecida também como cumaru ou champanhe, serve de sombra para o gado, melhorando o conforto térmico, e pode ser uma fonte de renda com a madeira, quando o corte é devidamente autorizado.

No Sítio Rosa de Saron, Selma busca aumentar a quantidade de árvores. Para isso, conta com importantes aliados no plantio de sementes. Parte dos frutos não é coletado, ficando para as cutias. Os pequenos roedores os escondem sob a terra para se alimentar posteriormente e muitas vezes não voltam para buscar e dali nasce uma nova árvore.

A integração entre lavoura e floresta também é feita na propriedade por meio do cultivo de café sombreado pela mata nativa. São 400 pés, de três espécies diferentes: catuaí, catucaí e conilon. A produção é toda beneficiada na propriedade e vendida para pessoas que vão até o local em busca do café e também de ovos caipira, peixes cultivados em dois tanques rede, frutos do cerrado, mel, hortaliças, mandioca, entre outros produtos oriundos da produção em sistema agroflorestal.

Líder comunitária e atuante na Rede de Mulheres do Cerrado, Selma e seu marido “Bodão” não medem esforços para buscar conhecimento para aplicar em sua pequena propriedade. Contam com assistência técnica da Empaer e abrem a porteira para as universidades de Barra do Garças e de Nova Xavantina desenvolverem atividades no sítio.

“Estou aqui por prazer e por amor. Sofri para chegar até aqui? Sofri. Mas foi em busca do que eu queria, que era ter meu espaço para produzir”, conta a produtora rural.

Em busca de sempre diversificar as fontes de receita no sítio, Selma investe agora no turismo rural. Está preparando sua propriedade para servir almoço para turistas que vão até o local para fazer trilha na Serra Verde. No cardápio está a produção local feita em sistemas agroflorestais e silvipastoris.

Caravana ILPF

O Sítio Rosa de Saron foi uma das propriedades visitadas pela Caravana ILPF, na etapa do Vale do Araguaia, realizada entre Goiás e Mato Grosso em maio de 2023.

 

Assista o vídeo aqui

Gabriel Faria (MTB 15.624 MG)

Embrapa Agrossilvipastoril

[email protected]

 

 

 

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Caravana ILPF difunde os sistemas integrados em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.

A Caravana ILPF, etapa Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul percorreu sete cidades, entre os dias 8 e 12 de agosto, promovendo atividades abertas ao público e para grupos específicos sobre sistemas de Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF).

A abertura oficial da Caravana ILPF foi em Maringá (PR), na sede da Cocamar, com representantes das Associadas da Rede ILPF e teve os sistemas de integração no noroeste paranaense, como foco do debate.

“Entre os objetivos da Caravana temos o de ampliar a área de ILPF no país e levantar diagnósticos regionais, por isso ações como essas são tão relevantes para coleta de dados, com eles entendemos os desafios e aptidões de cada região, além da troca de experiência que momentos como esses proporcionam”, afirmou Renato Watanabe, Presidente do Conselho Gestor da Rede ILPF e gerente Executivo da Cocamar.

Na terça-feira (9) a equipe composta por pesquisadores da Embrapa e técnicos da Rede ILPF e Associadas, desembarcou em Jardim Olinda (PR), para o dia de campo na Fazenda Flor Roxa. O evento foi aberto ao público e teve mais de 80 participantes entre técnicos, produtores rurais e empresas do setor agropecuário.

O pesquisador Alvadi Antônio Balbinot Junior, da Embrapa Soja, ministrou a palestra sobre Qualidade do solo em Sistema Integração Lavoura-Pecuária no arenito Caiuá e na sequência a família Vellini, proprietária da fazenda Flor Roxa falou sobre o caso de sucesso com ILPF. César Vellini produtor rural implantou o sistema em 2006 e disse que de lá para cá só colhe benefícios, a esposa dele, Márcia Vellini afirmou que a ILPF literalmente foi a salvação da lavoura.

A noite também teve ILPF como protagonista no 4 Encontro de ILPF realizado pela SOESP, em Presidente Prudente (SP). Itamar Junior, diretor comercial da empresa abriu a noite falando sobre o potencial e os avanços do estado na agropecuária. Na ocasião, também houve a assinatura do termo de intenção sobre a parceria da Rede ILPF e o governo de São Paulo, para um projeto futuro de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta no Estado.

“Nosso trabalho é o de difundir os sistemas nas diversas regiões produtoras do país, prospectar novos parceiros e apoiadores para promovermos cada vez mais uma agropecuária sustentável no Brasil”, afirmou Isabel Ferreira, Diretora Executiva da Rede ILPF.

O pesquisador da Embrapa, José Pezzopane, da Embrapa Pecuária Sudeste, falou sobre as potencialidades da ILPF para o oeste paulista e o supervisor da Fazenda Campina, Juliano Roberto da Silva, mostrou os benefícios da ILPF na fazenda que ele administra.

A quarta-feira (10) foi em Santa Rita do Rio Pardo (MS) na Fazenda Santa Vergínia, uma fazenda de gado de corte, de 30 mil hectares de área e com um modelo consolidado de IPF.

No mesmo dia, em Nova Andradina (MS) os palestrantes Júlio César Salton, da Embrapa Agropecuária Oeste apresentou o tema Integração Lavoura-pecuária em solos arenosos – Sistema São Mateus e a professora Rienne Queiroz (IFMS), falou sobre Sistema integração lavoura-pecuária-floresta: desafios para o MS.

Na quinta-feira (11) as atividades começaram em Dourados (MS), com a oficina Adopt para um grupo de técnicos. Além de entenderem sobre a ferramenta de diagnóstico agropecuário, os participantes também visitaram a fazenda experimental da Empraba Agropecuária Oeste, a ação foi conduzida pelo pesquisador Julio Salton.

Durante a noite foi a vez do painel de debates sobre ILPF e o mercado de carbono, na sede do sindicato rural de Campo Grande (MS). O evento foi híbrido: presencial e com transmissão ao vivo.

Rogério Beretta – Superintendente de Ciência e Tecnologia, Produção e Agricultura Familiar de Campo Grande MS; Roberto Giolo de Almeida – Pesquisador da Embrapa Gado de Corte; Miguel Tadeu Goncalves Cadini – Gerente de Negócios Florestais da empresa Suzano Papel e Celulose; Renato Rodrigues – Diretor para América Latina da empresa Regrow e André Dobashi – presidente da Aprosoja/MS, participaram do painel.

Oficinas Adopt, Agrotag, GeoABC

Foram três oficinas das ferramentas de diagnóstico agropecuário, oferecidas para técnicos da área com o objetivo de facilitar a identificação de necessidades de melhoria no campo, coletar dados e oferecer suporte para a adoção dos sistemas de integração. Os pesquisadores da Embrapa Inácio de Barros, Marcelo Muller, Ladislau Skorupa e Patrick Kuchler, coordenaram os trabalhos.

Caravana ILPF

A Caravana ILPF é uma realização da Rede ILPF é uma parceria público privada formada pelas empresas Bradesco, Cocamar, Embrapa, John Deere, Soesp, Syngenta, com o objetivo de difundir e ampliar a área ILPF no Brasil, além de realizar diagnósticos regionais sobre os sistemas de Integração nas diversas regiões produtoras do país.

A expedição técnica e científica (Caravana ILPF), composta por pesquisadores da Embrapa e técnicos de diversas empresas ligadas ao Agronegócio, irá percorrer mais de 10 estados brasileiros, até 2023.

A passagem da Caravana ILPF pelos estados prevê: Dias de campo, palestras, visitas institucionais e técnicas a produtores rurais, cooperativas, universidades, centros de pesquisa e diversos segmentos do agronegócio, públicos e privados.

Etapa Piloto

A primeira etapa da Caravana ILPF, considerada piloto, aconteceu entre os dias 4 e 8 de abril e percorreu seis cidades: Linhares (ES), Pedro Canário (ES), Nova Venécia (ES), Teixeira de Freitas (BA), Itabela (BA) e Eunápolis (BA), entre o norte do Espírito Santo e Sul da Bahia.

Entre as atividades desenvolvidas foram dois dias de campo, três mesas redondas e diversas visitas técnicas e institucionais.

Próxima Etapa

A próxima etapa está prevista para novembro na região nordeste.

ILPF no Brasil

A ILPF é uma tecnologia de produção agropecuária com grande potencial de mitigação de emissões de gases de efeito estufa e sequestro de carbono pelo solo e biomassa, além de uma série de outros benefícios socioambientais e econômicos

Metas

Segundo estimativas da Rede ILPF para a safra 2020/2021, a área ocupada com os sistemas ILPF no Brasil corresponde a 17,4 milhões de hectares. A Rede ILPF tem o propósito de ampliar essa área para 35 milhões de hectares até 2030.

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